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Mesmo antes do
início dos Jogos Olímpicos, a equipe brasileira de Adestramento –
uma das modalidades do Hipismo - já registra feitos históricos.
ROGÉRIO CLEMENTINO
DA SILVA, mato-grossense de 26 anos, será o primeiro negro da
modalidade Adestramento na história dos Jogos. Rogério foi o
primeiro atleta brasileiro do hipismo a garantir vaga nas
Olimpíadas. Rogério monta Nilo V.O, criação e propriedade da
Coudelaria Ilha Verde, de Victor Oliva.

Rogério Clementino montando Nilo VO.
Foto: Ney Messi
A paulistana LUIZA
TAVARES DE ALMEIDA, 16 anos, é a mais jovem amazona entre todas as
modalidades hípicas na história das Olimpíadas. O recorde pertencia
ao brasileiro e atual campeão olímpico Rodrigo Pessoa que aos 19
anos defendeu o Brasil nos Jogos de Barcelona. Luiza monta Samba (SS),
importado de Portugal e propriedade da Coudelaria Rocas do Vouga, de
Manuel Tavares de Almeida Filho.
LEANDRO APARECIDO DA
SILVA, 32 anos, outro atleta mato-grossense, primeiro cavaleiro a
montar um cavalo Lusitano em Pan-americano, nos Jogos de Santo
Domingo, República Dominicana, em 2003, foi o último cavaleiro a
conquistar a vaga, final de junho, na Polônia. O cavaleiro monta
Oceano do Top, animal de criação da Top Agropecuária e propriedade
da Fazenda Santa Izabel, de Paulo Salles.
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Leandro Aparecido da Silva montando Oceano do Top.
Foto: Ney Messi
Todos os três
integrantes da equipe montam animais da raça Puro Sangue Lusitano –
dois deles – Oceano do Top e Nilo V.O. – nascidos no Brasil.
Com a conquista da
vaga, Leandro Silva garantiu que o Brasil participe pela primeira
vez como equipe nos Jogos Olímpicos.
A formação da equipe
brasileira de Adestramento faz com que o Brasil entre para o seleto
grupo de 7 países que qualificaram times nas três modalidades
hípicas, ou seja, Adestramento, Concurso Completo de Equitação (CCE)
e Salto. Além do Brasil competem com equipes a Alemanha, Canadá,
Estados Unidos, Grã Bretanha e Suécia.
Na primeira semana
de julho os atletas retornam aos treinos com o técnico do time, o
belga Johan Zagers, em Düsseldorf, Alemanha, e a partir do dia 07/07
levam suas montarias para a quarentena veterinária obrigatória em
Aachen, no mesmo país.
Os atletas
brasileiros e suas montarias embarcam para a China no dia 28 de
julho.
As provas de
Adestramento nos Jogos Olímpicos acontecem no período de 13 a 16 de
agosto no centro eqüestre Sha Tin, o Jockey Club de Hong Kong.
Luiza Tavares de Almeida: a mais jovem amazona na história dos Jogos
Olímpicos
Montando o Puro
Sangue Lusitano Samba SS [Inca (RC) em Noruega], a amazona paulista
Luiza Tavares de Almeida, 16 anos, garantiu no dia 8 de maio a vaga
para os Jogos Olímpicos de Pequim na modalidade Adestramento.
Realizada no Clube
Hípico de Santo Amaro, na Capital paulista, o Grand Prix B do CDI -
Concurso de Dressage Internacional - foi a última de cinco seletivas
realizadas no Brasil.
Para carimbar seu
passaporte rumo as Olimpíadas, Luiza Almeida precisou superar o
índice mínimo de qualificação – 64% de aproveitamento – em duas
seletivas distintas. O primeiro índice foi alcançado durante a 4ª
seletiva realizada em 18/4.
Correspondendo às
melhores expectativas Luiza garantiu o índice com todos os três
juizes nível O (grau máximo da FEI): 66,458% com Gary Rockwell, dos
Estados Unidos, 64,475% com Bernard Maurel, da França, e 64,167% com
Elizabeth McMullen, do Canadá.
Luiza chegará a Hong
Kong - local aonde acontecem às competições de hipismo - na condição
de amazona mais jovem de todos os tempos. O recorde pertencia a
Rodrigo Pessoa, o mais premiado cavaleiro brasileiro de todos os
tempos que em 1992, aos 19 anos, defendeu o Brasil nas Olimpíadas de
Barcelona.
As conquistas de Luiza Tavares de Almeida
A caçula dos
representantes do Hipismo começou sua trajetória rumo a Pequim
quando chegou como reserva da equipe brasileira de Adestramento no
Pan do Rio de Janeiro, em 2007. A convocação aconteceu uma semana
antes da competição e Luiza foi alçada a titular 24h00 do início das
provas. E a moça fez bonito, ajudando o Brasil a conquistar a
medalha de Bronze por Equipe depois de 24 anos de jejum.
No Pan RIO 2007,
Luiza Almeida conquistou a medalhe de Bronze por equipe e fechou sua
apresentação na reprise Intermediária I com média final de 64,650%.
A carreira de Luiza
Almeida decolou em 2006, com as conquistas da Copa Amil, em São
Paulo (SP) e do Torneio Helda Gerdau Johannpeter, em Porto Alegre
(RS). À época competia na série Média II – Aberta. Praticando
Adestramento há apenas dois anos, Luíza abandonou o Salto para
dedicar-se exclusivamente ao Adestramento Clássico.
Com Samba (SS),
tordilho de 9 anos, criado em Portugal, nos campos da Sociedade das
Silveiras, a amazona venceu também a segunda edição anual da Copa
Amil, em novembro do mesmo ano, faturando o título de Campeã
Brasileira Júnior, com o expressivo índice de 67.600%.
Logo após o Pan do
Rio, Luiza e Samba partiram para Alemanha já visando a preparação
para Pequim 2008 e dando prosseguimento ao plano de treinamento
iniciado no Brasil 3 anos antes com o belga Johan Zagers no
Dressurstall Zagers – na região de Düsseldorf.
A amazona retornou
aos treinamentos em Düsseldorf no dia 20 de maio. Na Europa, além de
seu cavalo cumprir quarentena antes das Olimpíadas, ela também
competiu em concursos 3* (categoria três estrelas).
Hong Kong: palco das provas hípicas nas Olimpíadas
Com melhores
condições climáticas e sanitárias que Pequim, a autônoma cidade de
Hong Kong com 7 milhões de habitantes será sede das modalidades
hípicas nas Olimpíadas na China. As disputas acontecerão em Sha Tin
– o bem-estruturado Jockey Club de Hong Kong - com 13 pistas, um
picadeiro coberto (35 x75 metros), 4 áreas climatizadas com 200
cocheiras.
O coração central de
Sha Tin – com capacidade para 18 mil espectadores – será palco da
corrida pelas medalhas nas modalidades Adestramento, Salto, bem como
Concurso Completo de Equitação – exceto a prova de cross country que
ocorrerá no Hong Kong Golf Club.
As condições
climáticas são consideradas um ponto bastante sensível para o
bem-estar das montarias. Em agosto, época da Olimpíada, as
temperaturas costumam ser bastante elevadas em Hong Kong, assim como
os índices de umidade. Por isso, o picadeiro, uma área de
treinamento climatizada, também é uma das facilidades visando o
bem-estar dos animais. Todas as disputas estão programadas para o
final da tarde e noite.
Rute Araujo
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